[POST FEITO A BASE DE LINKIN PARK, HALLS E MATANZA. NÃO ENTENDA. NÃO LEIA. NÃO INTERPRETE. NÃO JULGUE. NADA DO QUE TÁ ESCRITO AQUI É VERDADE. OU TALVEZ SEJA, VAI SABER]
Sexta-feira 13, duas provas incrivelmente ruins, tédio. A única vontade era chegar o mais rápido possível em casa, jogar o tênis para um lado, roupa pro outro, e dormir. Mas não, o universo não conspira a meu favor. Mainha liga pra mim e diz que esqueceu de levar a Carteira de Trabalho dela, que eu teria que levar lá no Arruda, ou ela não tiraria férias. OK, pensei.
Todo o problema motivo do post começa aí. Fazia tanto tempo que eu nem pensava em passar perto do Arruda, que não sabia nem mais que ônibus pegar. Tentei forçar minha mente a lembrar dos ônibus e paradas que eu deveria ir, mas acho que ela estava mais preocupada em pensar que no google eu acharia isso – maldito google, está me deixando cada dia mais preguiçoso –. Dez minutos depois eu desisti, me rendi a vontade da minha mente, e liguei para minha mãe perguntando tudo. Eu tinha que ir para a Suassuna, pegar um ônibus (eram tantas as opções que a vergonha de não ter lembrado faz com que eu não diga aqui) e descer logo depois da garagem da São Paulo. OK, pensei de novo.

Janela de ônibus… tem lugar melhor pra pensar na vida?
O ônibus parou. Subi, como de costume, e passei correndo para a cadeira mais próxima da janela possível. Mas tinha algo diferente. Não sei se é comum sentir isso ao entrar num “Bomba do Hemetério”, mas a sensação que tive não foi das melhores. Parecia que eu tinha entrado numa espécie de túnel do tempo. Meu passado estava alí, na minha frente. Sei que vai tudo parecer estranho, mas relaxe, isso É estranho.
Mesmo anestesiado com a sensação que tive quando sentei no ônibus, segui viagem. Não demorou muito pra tudo começar de novo… cada lugar que ele passava me trazia uma lembrança. Lembrei do meu primeiro curso de informática, no Malba Lucena, que ficava perto do meu antigo apartamento (aliás, estão me devendo o meu certificado até hoje), lembrei das lojas onde eu costumava comprar aquelas-coisas-que-você-compra-para-todo-trabalho-do-colégio, das locadoras, lan houses, fliperamas, academias, supermercados, de tudo. Cada lugar que passava rapidamente pela janela do ônibus, trazia uma lembrança do que eu vivera ali, tão rapidamente quanto eu as via. Agora sim eu sei o que é ver sua vida em um filme.
Finalmente chegou no colégio do Arruda. Eu já estava agonizando. Desci. Tentei lembrar o caminho parada-colégio, e, finalmente, convenci minha mente que ela teria que lembrar já que não existia nenhum Google por perto. Eu poderia dizer que cada passo até o colégio me trazia uma lembrança, mas já seria exagero. Eu sempre corria aquele trecho, seria demais querer muitas lembranças dali.
TUDO mudou. Lógico que não tudo, mas quase. A fachada do colégio mudou, os funcionários mudaram, os alunos mudaram. Sei que isso era óbvio, que tudo muda, que nada continua do mesmo jeito pra sempre e blá blá blá… mas ver isso pessoalmente é bem diferente. Sabe o que são lembranças desmoronando como se nunca tivessem existido? Essa era a sensação do momento. Meus olhos não cansavam de procurar alguma coisa que no mesmo instante fizesse minha memória fisgar alguma coisa do passado e me trazer de volta, como fazia a alguns instantes atrás. Maldição, não achava nada. Procurei os antigos alunos, aquele tipo de povo que mesmo você não conhecendo pessoalmente você sabe como eles são. Procurei amigos antigos, ou pelo menos suas personalidades em outras pessoas. Procurei funcionários conhecidos, que me reconheceriam e falariam como eu mudei. Procurei amigos, alunos, funcionários, professores, mas tudo que eu achei foram… pessoas. Pessoas estranhas. Cada um com sua vida, com seu jeito de viver e personalidade. Nada que me lembrasse o passado do jeito que eu queria.
Desisti de pescar algo com a mente. Eu tinha que tentar algo fisicamente. No mesmo instante que pensei isso, pediram para eu entregar um bilhete pra uma mulher que tinha acabado de passar pelo colégio. Meio que sem perceber, passei correndo pelo portão. Finalmente senti o que queria, aquilo me era familiar. Matei o meu desejo. Uma lembrança, nada mais. Continuei, entreguei o bilhete à mulher, voltei, entreguei a carteira para minha mãe e fui embora. Não aguentava mais ficar ali. Era um misto de saudade com vontade de fugir e continuar.
Peguei o ônibus de volta para casa e comecei a pensar em tudo que tinha passado, de novo. Olhei pro lado e vi tudo indo embora. Era como se o fantasma que me acompanhou todo o caminho de ida, tivesse dando adeus. Talvez fosse isso mesmo que eu queria; esquecer o passado e seguir a vida em frente, só olhando para o presente e pensando no futuro. Naquela época eu não vivia. Tinha amigos, colegas, relacionamentos, mas não vivia. Talvez ainda não viva. Ou ainda, quem sabe, tenha sido a melhor época da minha vida. Não importa. Só sei que a vi indo embora, junto com um fantasma que costumava me seguir todas as noites antes de dormir.
Quando a gente acha que tem todas as respostas do mundo, vem a vida e muda todas as perguntas. Talvez o meu presente seja apenas um reflexo de tudo que eu já vivi, das minhas atitudes, minhas besteiras, meus erros. Mas seu eu pudesse voltar no tempo, faria tudo do mesmo jeito. Convivi. Aprendi. Vivi. Isso que importa.
Acho que a única pessoa que é realmente livre do seu passado e dos seus fantasmas é aquela que vive o seu presente, esquece o passado. Ou melhor, não esquece, apenas guarda-o numa parte do cérebro que mais tarde vai ser usada para dar umas boas risadas…
Obrigado pela paciência, Ego, sei que só tu vai ler e entender isso aqui mesmo…
PS: Desconsidere os erros de português, tô sem saco pra corrigir isso.