A Semana – Parte I

Agosto 12, 2008

­­­       Uma semana indo todas as noites para a igreja. Várias oportunidades… essa é minha última chance, a que eu precisava, ou não. Não aguentava mais essa ânsia de gritar, falar toda a verdade, e não me arrepender depois. Cansei de me esconder atrás de um medo, viver me contorcendo em sombras, jogando comigo, indo para qualquer caminho que fosse o contrário do que minha verdadeira vontade insistia em seguir.

“Coragem, coragem, coragem!” – eu não podia desistir, não agora.

Meu maior medo devia ser o de não conseguir fazer ela feliz… talvez eu até conseguisse, mas não ia ser o suficiente. O que eu vou dizer quando ela se calar, esperando ouvir minha voz? Um sonoro e patético “Oi, tudo bem”? Não, não é isso que eu quero. Ela merece mais, muito mais.

Levantamos meio que tediosamente do banco e fomos andando até a saída, praticamente sem se despedir dos amigos que ainda estavam lá. A expressão era de cansaço; o culto tinha sido bom, mas já era tarde. Tentei olhar nos olhos dela, mas o frio começava a tomar conta de mim toda vez que eu tentava. Não dava. Eu não ia conseguir.

Enquanto eu me contorcia em uma batalha quase épica contra meus pensamentos, ela parecia preocupada. Não sei se era pela hora, ou por toda a minha tentativa frustrada de deixá-la feliz. Tudo que eu conseguia ver em seu rosto só me deixava mais angustiado.

Ela riu.

Todas as minhas preocupações, todos os meus medos, todos os meus anseios e até mesmo as minhas dúvidas sumiram no momento em que ela riu. Quase como numa mágica, aquela risada conseguiu entrar em minha alma e dilacerar os medos que ainda insistia em ter. Medo? Eu tinha medo? Não lembro. Seu sorriso era tão hipnotizador que não senti o tempo passar. Finalmente entendi o que significa a eternidade… aqueles 3 segundos foram eternos.

O sorriso acabou. Voltou o rosto preocupado que existia até antes dele. A magia acabou. A eternidade sem medos acabou. A realidade – aah, realidade… – voltou.

A sensação de ver todos os meus medos voltarem de uma só vez não foi boa. Aliás, foi péssima. Pior que antes. A racionalidade não podia voltar tão subitamente assim… um aviso de que tudo iria desmoronar, fazendo as dúvidas voltarem, era uma boa.

Faltava pouco pra chegar na casa dela. Éramos três; eu, ela e meus fantasmas. O frio parecia ficar cada vez pior. Procurei a lua, na esperança de um pouco de conforto, mas até ela havia sumido aquela noite. Tinha que ser só eu e ela. Mais ninguém. Mais nada.

Balbuciei algumas palavras, mas elas fugiam de mim. Eu precisava falar, não podia continuar sem dizer nada. Tentei de novo, mas dessa vez nem a minha boca se abriu. Após muito esforço consegui abrir a boca, e, mesmo assim, só pra mostrar o que eu realmente *não* queria falar.

“Oi, tudo bem?” – falei tão rápido que nem percebi. Me escondi, não era isso que eu queria falar. Podia ter sido algo inteligente, algo esperto, ou qualquer outra coisa, menos isso. Ela forçou um sorriso pelo lado da boca e respondeu meio sem graça: “Tudo”.

Chegamos na entrada do prédio. Ela já estava distante quando eu olhei. Passou na minha frente sem pestanejar, entrou, e disse tchau. Entendi a preocupação. Tudo que pude fazer foi responder o tchau e, com todas as forças que conseguia juntar, sussurrar um “Se cuida…”.

Queria poder falar em voz alta, completar a frase. Virei, olhei todo o caminho que tinha na minha frente, e comecei a me xingar por não ter falado. Eu precisava falar. Eu queria falar. Ah, como eu te amo. Eu te amo, isso não é nada, mas é tudo, mesmo eu nunca tendo dito pra você.

- Semana 11/05 ~ 18/05


Só Perguntas

Julho 1, 2008


George Carlin

Junho 24, 2008

Experiências comuns.


Passione, Amore.

Junho 19, 2008

Meus textos não são românticos, fato. Sei lá, é algo que não sai de mim. Eu simplesmente não consigo me expressar através de palavras escritas em um texto do mais informal que seja. Deve ser alguma espécie de dislexia, incontinência urinária ou distúrbio do déficit de atenção (palavras bonitas, não? Aprendi na última palestra de saúde). As vezes tenho medo de não conseguir me expressar nem por meio de palavras faladas, mas venho conseguindo superar essa parte. Isso deve ser conseqüência da minha timidez, ou até mesmo do medo de não ser aceito. Não sei o que deu em mim, não costumo fazer isso. Mas vamos lá, eu consigo… eu acho.

Amor verdadeiro, do jeito que falam hoje em dia, não existe. Paixões platônicas não existem – sorry, Platão -, paixões eternas também não. Como diria o comercial do Serenata de Amor, tudo não passa de um relacionamento com nossas ilusões, que, quando se vão, só continuam se as verdadeiras imagens forem suficientes. Por isso sentimentos platônicos não são dignos de existência. O relacionamento não existe, a pessoa desejada não passa de uma mera imaginação e você, sem seu amor próprio, também não existe. Paixões eternas também não existem. São simples estados passageiros de limerância, onde, após um tempo, tudo que sobra é o sentimento verdadeiro (que pode ser bom, ou ruim).

(Começo meio pesado para um post não?)

Tudo virou clichê. Um príncipe encantado chega em seu enorme cavalo branco, invade o castelo do rei malvado e resgata sua princesa, que nunca tinha visto antes, e vivem felizes para sempre. Perdão, mas… A realidade NÃO é clichê. O mundo é, a realidade não. Opostos não se atraem. Quer dizer, se atraem, e depois, quando toda a limerância se vai, se separam como se nunca tivessem sentido algo um pelo outro.

Parece que virou moda tudo isso. Virou moda dizer “te amo”, mandar flores, fazer carinho, ser feliz com alguém. Os sentimentos verdadeiros foram jogados para trás, onde tudo que resta é uma atração física que com o tempo vai sumindo. Vai ver é por isso que poucos casamentos duram hoje em dia.

A pessoa que a gente ama, apesar de ser aquela pessoa que queremos ter sempre por perto, não é uma cópia fiel de tudo que esperamos que ela seja, por mais que a gente não note isso. Daí começam a aparecer os defeitos dessa pessoa e, com o passar do tempo, o sentimento se acaba. Não, aquela pessoa não mudou quase nada desde o começo; você apenas não tinha notado os defeitos dela. Quase ninguém, hoje em dia, consegue ver os defeitos e ESQUECÊ-LOS, quando possível. Ninguém é perfeito. Mas uma pessoa pode ser completamente perfeita PARA VOCÊ. Isso acontece quando os seus (não seus, o dessa pessoa) defeitos não são maiores que suas qualidades. Quando tudo o que aquela pessoa faz, fez e fará é mais que o suficiente para cobrir parte de seus erros. Enxergar os defeitos e superá-los é uma qualidade gigantesca; se um dia conseguir isso, me ensine.

Medo. Eu tenho medo. Na verdade, medos, muitos medos. Mas, como diria o grande filósofo Pedro, Medo é bom, ruim é o medo de ter medo. Não se pode ter medo de amar por sofrer, medo de ser feliz e se decepcionar depois. Demorei muito tempo pra aprender isso, pra colocar isso em prática, mas vencer meus medos e realizar vontades que meu coração sempre teve me fez uma pessoa melhor. Cansei de viver toda a mentira e os pseudos-sentimentos do mundo. Enfrentei, venci. Achei a melhor pessoa que poderia achar.

Encontrei, nessas minhas jornadas pela vida, uma das pessoas mais fortes que já conheci. Que foge de tudo que sempre pensei do mundo, de todos, de tudo que falei ainda agora. Ela conseguiu superar seus medos, suas dúvidas e seus anseios. Conseguiu reconstruir tudo sem ajuda de ninguém, sozinha. Não tá nem aí pra o que pensam as falsas amizades e muito menos os “clichês” desse mundo. Ela tinha tudo pra não querer continuar, não querer tentar ser feliz, deixar tudo de lado e levar a vida do jeito que dava… mas não, enfrentou todos os seus medos de uma só vez e os venceu. Lógico que eles voltam naquelas noites frias só pra verificar se estamos com saudade deles, mas ela os venceu.

O medo de se machucar continua, mas não supera o medo de amar, construir um sentimento verdadeiro dia após dia, alcançando assim, o amor verdadeiro – esse sim é o amor que existe… não é aquele romantismo moderno que consome a todos levando somente a uma segunda intenção-.

Todas as suas (não suas, dela) virtudes são maiores que seus medos, seus defeitos. Muito maiores. ISSO é o que eu chamo de ser forte, de ser sincero e capaz de vencer tudo…

Encontrei a pessoa que eu sempre quis, que talvez não seja eterna, mas que me faz sentir completo, coisa que eu nunca tinha sentido. Contigo (não você, ela… ah, já entenderam) eu consigo enfrentar os meus medos, as minhas dúvidas e os meus anseios.

Aí vem alguém e me pergunta: Tio Nestor, uma pessoa assim existe? Não é tudo fruto de uma ilusão serenateana? – e eu respondo – Existe. Todas as suas virtudes ficam, mesmo sem a ilusão. Fugindo de todo o contexto do mundo de hoje em dia, de todas as modas, de todos os clichês em que vivemos. Existe de uma maneira única, inigualável, em que você nem precisa se esforçar para lembrar dela. Ela virá na sua mente, fazer uma visita, toda tarde, todo momento em que você parar, todo momento em que você sonhar…

Eu já encontrei essa pessoa. Poderia até escrever um post falando só dela, mas acho que já falei o suficiente do que ela enfrentou, do que ela venceu e do quão importante ela é pra mim.

Já me peguei várias vezes escrevendo algo pra tentar explicar o que eu sinto por ela, como a alguns segundos atrás, antes deu apagar três parágrafos desse texto… não sei… Não sei explicar. É algo que fugiu do controle da minha mente. Acho que dessa vez o universo conspirou ao meu favor. Na verdade, acho que não só ele…

Várias vezes meu cérebro me pregou peças, me fazendo sentir coisas que nunca tinha sentido. Não é algo comum pra mim sentir cheiros do nada durante uma tarde… era o cheiro dela… como se eu estivesse a menos de um palmo do seu pescoço. Se não era o cheiro, era um sussurro do vento, que me fazia olhar pra trás várias vezes achando que era ela chegando perto…

Se tudo isso é uma ilusão, não quero acordar nunca. Quero viver preso em um sonho, onde tudo que toco, tudo que sinto e tudo que vejo é bem mais real do que tudo que já vivi. Desde que esse sonho seja ao seu lado.

Mas eu sei que isso não é um sonho, que o mundo não é perfeito e que a realidade, muitas vezes, é mais triste que uma história infantil. Mas eu também sei que suas virtudes são maiores do que seus medos, do que meus medos. Sei que contigo eu consigo vencer, consigo ser feliz.

Não me apaixonei por uma ilusão. Me apaixonei por uma pessoa de carne e osso, com todos os seus defeitos. Defeitos esses que não significam nada perto dela.

O post ficou bastante meloso, fugindo bastante nas frases e muito repetitivo, concordo… mas era tudo que eu precisava dizer. Eu sei, eu sei, podia ter resumido tudo, acho que terá o mesmo significado, então, poderia ser resumido somente nisso, que já falaria tudo que eu queria explicar:
Eu te amo, Ana Cristina.

- Hoje, 18 de junho de 2008. Um mês. 30 dias. 720 horas. 43200 minutos. Muitos momentos contigo. Bastante tempo, não?


10 coisas que vou fazer antes de morrer

Junho 17, 2008

[Post para tentar ganhar o livro EQM, do Ibrahim César, na versão impressa. Tudo culpa do Slonik.]

O Rafael Slonik, do novo-MUNDO, quase morreu ­­­­– acho que a morte tá ficando cada vez mais burra, mas tudo bem ­­­­­– e resolveu escrever um post sobre as coisas que ele quer fazer antes de morrer. Ótimo, parabéns… Mas o que diabos você tem a ver com isso? Nada. Mãããs não pára por aí! Ele vai sortear o livro EQM com todos os blogueiros leitores que fizerem um semelhante ao dele.

Então, vamos lá…

1. Trocar de cidade, colégio, casa, país.
Sumir. Deixar toda uma vida para trás e tentar construir outra. Abandonando completamente TUDO, mesmo que depois de um tempo eu voltasse e tentasse reconstruir a antiga vida.

2. Ganhar muito dinheiro.
Não quero nada absurdamente caro. Quero mais que isso.

3. Perder todo o dinheiro.
O dinheiro com certeza iria mudar minha vida. Nada mais justo que perder todo ele, não?

4. Falar tudo que eu sempre quis.
Sei que parece ser o mais fácil, mas não é. Ninguém ouviria. E mesmo se ouvisse, não ligaria.

5. Aprender a escrever bem.
Pra mim não existe coisa melhor do que um bom texto. Se eu fosse um Veríssimo da vida já estava bom.

6. Viajar por todo o mundo.
De mochilão. Pegando carona, trem, busão, metrô, morando em casa de amigos, etc.

7. Aprender a tocar bateria/guitarra/violão/piano/saxofone/baixo/gaita…
Todos. De uma só vez.

8. Ter netos.
E, enquanto eu viver, ajudá-los a atormentar seus pais.

9. Aprender definitivamente a falar inglês/espanhol/italiano/francês/alemão/latim/esperanto…
Não precisa ser de uma vez só…

10. Visitar a TV Globo.
Juntar os integrantes do Zorra Total, Galvão Bueno, Faustão, Xuxa, Louro José, Os-caras-que-botam-A-Lagoa-Azul-pra-passar-todo-ano e todos os outros do gênero, e, com várias bananas de dinamite na barriga, abraçar todos eles. Morreria feliz. Me sentiria como um herói que acaba de salvar o mundo… Pena que isso é um pensamento psicótico e que não podemos sair por aí matando os outros.

Dane-se, ninguém disse que tudo tinha que acontecer mesmo.

Ao som de: Ana Maria Br.. – merda, era pra eu ter ido pro colégio. ¬¬


Nostalgia

Junho 13, 2008

[POST FEITO A BASE DE LINKIN PARK, HALLS E MATANZA. NÃO ENTENDA. NÃO LEIA. NÃO INTERPRETE. NÃO JULGUE. NADA DO QUE TÁ ESCRITO AQUI É VERDADE. OU TALVEZ SEJA, VAI SABER]

Sexta-feira 13, duas provas incrivelmente ruins, tédio. A única vontade era chegar o mais rápido possível em casa, jogar o tênis para um lado, roupa pro outro, e dormir. Mas não, o universo não conspira a meu favor. Mainha liga pra mim e diz que esqueceu de levar a Carteira de Trabalho dela, que eu teria que levar lá no Arruda, ou ela não tiraria férias. OK, pensei.

Todo o problema motivo do post começa aí. Fazia tanto tempo que eu nem pensava em passar perto do Arruda, que não sabia nem mais que ônibus pegar. Tentei forçar minha mente a lembrar dos ônibus e paradas que eu deveria ir, mas acho que ela estava mais preocupada em pensar que no google eu acharia isso maldito google, está me deixando cada dia mais preguiçoso . Dez minutos depois eu desisti, me rendi a vontade da minha mente, e liguei para minha mãe perguntando tudo. Eu tinha que ir para a Suassuna, pegar um ônibus (eram tantas as opções que a vergonha de não ter lembrado faz com que eu não diga aqui) e descer logo depois da garagem da São Paulo. OK, pensei de novo.

Janela de ônibus, hora de pensar na vida...
Janela de ônibus… tem lugar melhor pra pensar na vida?

O ônibus parou. Subi, como de costume, e passei correndo para a cadeira mais próxima da janela possível. Mas tinha algo diferente. Não sei se é comum sentir isso ao entrar num “Bomba do Hemetério”, mas a sensação que tive não foi das melhores. Parecia que eu tinha entrado numa espécie de túnel do tempo. Meu passado estava alí, na minha frente. Sei que vai tudo parecer estranho, mas relaxe, isso É estranho.

Mesmo anestesiado com a sensação que tive quando sentei no ônibus, segui viagem. Não demorou muito pra tudo começar de novo… cada lugar que ele passava me trazia uma lembrança. Lembrei do meu primeiro curso de informática, no Malba Lucena, que ficava perto do meu antigo apartamento (aliás, estão me devendo o meu certificado até hoje), lembrei das lojas onde eu costumava comprar aquelas-coisas-que-você-compra-para-todo-trabalho-do-colégio, das locadoras, lan houses, fliperamas, academias, supermercados, de tudo. Cada lugar que passava rapidamente pela janela do ônibus, trazia uma lembrança do que eu vivera ali, tão rapidamente quanto eu as via. Agora sim eu sei o que é ver sua vida em um filme.

Finalmente chegou no colégio do Arruda. Eu já estava agonizando. Desci. Tentei lembrar o caminho parada-colégio, e, finalmente, convenci minha mente que ela teria que lembrar já que não existia nenhum Google por perto. Eu poderia dizer que cada passo até o colégio me trazia uma lembrança, mas já seria exagero. Eu sempre corria aquele trecho, seria demais querer muitas lembranças dali.

TUDO mudou. Lógico que não tudo, mas quase. A fachada do colégio mudou, os funcionários mudaram, os alunos mudaram. Sei que isso era óbvio, que tudo muda, que nada continua do mesmo jeito pra sempre e blá blá blá… mas ver isso pessoalmente é bem diferente. Sabe o que são lembranças desmoronando como se nunca tivessem existido? Essa era a sensação do momento. Meus olhos não cansavam de procurar alguma coisa que no mesmo instante fizesse minha memória fisgar alguma coisa do passado e me trazer de volta, como fazia a alguns instantes atrás. Maldição, não achava nada. Procurei os antigos alunos, aquele tipo de povo que mesmo você não conhecendo pessoalmente você sabe como eles são. Procurei amigos antigos, ou pelo menos suas personalidades em outras pessoas. Procurei funcionários conhecidos, que me reconheceriam e falariam como eu mudei. Procurei amigos, alunos, funcionários, professores, mas tudo que eu achei foram… pessoas. Pessoas estranhas. Cada um com sua vida, com seu jeito de viver e personalidade. Nada que me lembrasse o passado do jeito que eu queria.

Desisti de pescar algo com a mente. Eu tinha que tentar algo fisicamente. No mesmo instante que pensei isso, pediram para eu entregar um bilhete pra uma mulher que tinha acabado de passar pelo colégio. Meio que sem perceber, passei correndo pelo portão. Finalmente senti o que queria, aquilo me era familiar. Matei o meu desejo. Uma lembrança, nada mais. Continuei, entreguei o bilhete à mulher, voltei, entreguei a carteira para minha mãe e fui embora. Não aguentava mais ficar ali. Era um misto de saudade com vontade de fugir e continuar.

Peguei o ônibus de volta para casa e comecei a pensar em tudo que tinha passado, de novo. Olhei pro lado e vi tudo indo embora. Era como se o fantasma que me acompanhou todo o caminho de ida, tivesse dando adeus. Talvez fosse isso mesmo que eu queria; esquecer o passado e seguir a vida em frente, só olhando para o presente e pensando no futuro. Naquela época eu não vivia. Tinha amigos, colegas, relacionamentos, mas não vivia. Talvez ainda não viva. Ou ainda, quem sabe, tenha sido a melhor época da minha vida. Não importa. Só sei que a vi indo embora, junto com um fantasma que costumava me seguir todas as noites antes de dormir.

Quando a gente acha que tem todas as respostas do mundo, vem a vida e muda todas as perguntas. Talvez o meu presente seja apenas um reflexo de tudo que eu já vivi, das minhas atitudes, minhas besteiras, meus erros. Mas seu eu pudesse voltar no tempo, faria tudo do mesmo jeito. Convivi. Aprendi. Vivi. Isso que importa.

Acho que a única pessoa que é realmente livre do seu passado e dos seus fantasmas é aquela que vive o seu presente, esquece o passado. Ou melhor, não esquece, apenas guarda-o numa parte do cérebro que mais tarde vai ser usada para dar umas boas risadas…

Obrigado pela paciência, Ego, sei que só tu vai ler e entender isso aqui mesmo…

PS: Desconsidere os erros de português, tô sem saco pra corrigir isso.


Hermanoteu e o Diabo

Maio 23, 2008


Os Melhores do Mundo nem precisam de comentários, né? :P


É Mentira

Maio 23, 2008

Everybody Lies deve ser a frase mais conhecida dos fãs de House. Mesmo assim não deixa de ser uma verdade absoluta. Todo mundo mente. É uma condição humana, um meio de sobrevivência. A única variável é sobre o que cada pessoa mente. Cada um tem uma necessidade de mentir em alguma coisa. Ou você acha que existiria tantas civilizações assim sem a mentira? Vai me dizer que sua bisavó iria aceitar sair com o seu bisavô se soubesse que ele não era rico?

O que mais impressiona e assusta, é o meio como as pessoas vêm usando a mentira. Relacionamentos não costumam ser tão sinceros como antigamente. Se é que antigamente eram sinceros. E não, não estou falando de namoros, casamentos, etc… mas de simples amizades.

Parece que para manter uma amizade simples e perfeita basta mentir. Criar uma perfeita e bem elaborada convivência, onde cada um fala o que o outro quer ouvir ou o que acha bonito de se falar. Basta camuflar as suas intenções com a pessoa e tudo ficará bem.

Ninguém mais se preocupa com a verdade. A sinceridade que tanto gostei de ver, de tentar usar, parece ficar cada dia mais escassa nas amizades de hoje em dia. Raramente você consegue ouvir algum amigo de verdade falando: “Você está linda. Mas… vai trocar essa roupa e o penteado, tá parecendo um ninho”. Ou: “Cara, tu joga ruim pra caramba, posso até te dar umas dicas, mas não fica se achando não, blz?”. E mesmo quando aparece, costuma ser mais falsa do que a própria mentira. A preocupação em falar o que agrada tomou conta de todos. Pelo menos de quase todos.

É bom ser sincero. Sério. Experimente que você vai ver.

Mas já que todo mundo mente, pelo menos faça bem feito. Nunca minta parece pessoas realmente próximas de você, ou que realmente lhe conhecem. Também nunca minta para médicos, por motivos óbvios. Quanto ao resto, sinta-se à vontade.

Treine sua voz, disfarce os movimentos, não desvie o olhar. Leia livros sobre a psicologia da mentira, pesquise sobre os truques usados em investigações e sobre sinais da mentira. Faça bem feito. Não deixe vestígios. Mantenha o máximo de amigos possíveis aos seus pés. Faça com que todos amem o seu novo personagem. Afinal, quem mais liga em ser sincero?

Caso não queira ter esse trabalho todo mentindo, faça feito eu, que nunca minto.

Que tal começar falando que esse
post realmente ficou uma merda?
Eu percebi isso, é só falar.
Já vai ser um começo.

PS: Esse post não foi direcionado pra ninguém, como todos os outros aqui. Não se sinta ofendido. :D


Arriscando os gatos do Schrödinger

Maio 23, 2008

Alguém já tinha ouvido falar n’Os Gatos de Schrödinger? Não? Nem eu. Ou melhor, já ouvi falar, mas muito pouco. Só ontem, lendo o Você Não Acreditaria, foi que vim descobrir realmente do que se tratava.
Chega a ser complicado explicar, por isso irei dividir em duas partes. Escolha qual ler.

- Versão resumida-não-nerd:

Quem não arrisca, não petisca.


- Versão completa-totalmente-nerd:

Vamos começar organizando os fatos. A ciência evolui constantemente, certo? Faz tempo que ela deixou de ser algo exato. Quantas vezes você já ouviu alguém falar que é impossível tirar a raiz quadrada de um número negativo e depois sofreu vendo alguém mostrar que é possível achá-las usando números imaginários? Pois é. Na física quântica também é assim. Agora se prepare que vai começar toda a filosofia boa dessa história.

Vamos supor que você tem duas opções para determinada coisa. Usaremos como exemplo uma pessoa e seu cheiro. Quantas possibilidades de cheiro nós possuímos? Duas. Ou fede, ou cheira bem. Agora vamos olhar isso pelo lado da… física. A física quântica agora diz que existe outra possibilidade. Essa possibilidade seria a 01, ou seja, nem 0, nem 1. Algo como fede-mas-cheira-bem, entendeu? Pois bem, apesar de parecer surreal, é o que a física e seus doidos seguidores afirmam, assim como Erwin Schrödinger.

Mas tem um problema. Algo só existe se você conseguir observar, ou provar que ela existe. Se conseguir os dois, parabéns. Então, o Schô, se me permite o apelido carinhoso, propôs a seguinte experiência imaginária:

Peguemos um gatinho fofinho e carinhoso, de preferência vivo. Soquemos ele dentro de um cubículo totalmente fechado feito de papelão, de um tamanho considerável para suportar toda a experiência. Arrume também um Contador Geiger, possivelmente roubado, e coloque junto com uma pequena, eu disse PEQUENA, quantidade de alguma-coisa-muito-radioativa. A quantidade tem que ser exatamente a quantia necessária para fazer com que exista apenas 50% de chance dessa alguma-coisa-muito-radioativa vazar por sua proteção. Temos 50% de chance para que tudo dê errado, e 50% de chance para que a alguma-coisa-muito-radioativa não saia durante toda a eternidade. Ótimo, não? Agora vem a parte essencial. Caso a proteção dessa alguma-coisa-muito-radioativa seja corroída, um martelo cairá sobre um frasco que contém o mais letal de todos os venenos, matando o bichano no mesmo instante.

Chega a parecer dramático, mas o seu gato ainda tem 50% de chance de sobreviver, é só a proteção da substância não ser corroída.

Agora feche a caixa e deixe passar dois dias. Seu gato agora está vivo ou morto? Impossível saber. Ele tanto pode estar vivo, como pode estar morto. As chances são iguais. Eis o 01. Seu gato está vivo-morto. O único jeito de saber o estado do seu felino irritante companheiro é abrindo a caixa e vendo o resultado.

E qual a importância disso, tio Nestor? Pra que eu vou querer um gato zumbi? Simples. Aplique isso na sua vida. Não entendeu? Tá, eu explico, de novo.

Toda e qualquer atitude possui reações, boas ou ruins. Toda e qualquer mudança trará consigo resultados bons ou ruins. Todas as condições da vida, como a tristeza, alegria, segurança, são assim. E o único jeito de transformar essas incertezas em certezas é abrindo a caixa.

Tem medo de que algo dê errado? Não sabe se vai ser feliz com alguém? Abra a caixa. Arrisque. Só não esqueça do Filtro Solar.

Post descaradamente baseado no texto
do Myhto, em Você não acreditaria.


Primeiro

Maio 1, 2008

Aleluia, nasceu!

Malditos partos cesarianos, sempre atrasam o nascimento. Além de deixar aquele vestígio da anestesia, que ainda vai deixar o blog em repouso até acabar por completo o parto. Só espere.

ps: Antes que me esqueça; prazer, Nestor, o pai dono do Sedentar.